Misturando-se aos passeios de fortalezenses e turistas, os passos dos brincantes do Maracatu, cadenciados pelos batuques dos tambores e as melodias das loas, tomaram a Beira-Mar neste sábado (29/3). Festejando o Dia Municipal do Maracatu, celebrado anualmente em 25 de março, 15 agremiações desfilaram em um trecho do calçadão da avenida. Promovida pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal da Cultura (Secultfor), a festa tem o objetivo de difundir o Maracatu, considerado Patrimônio Imaterial de Fortaleza desde 2016, por meio do Decreto 13.769.
A secretária da Cultura Helena Barbosa ressaltou a contribuição do evento para visibilizar a tradicional manifestação cultural cearense. "Tradicionalmente essa comemoração já acontece na Beira-Mar, e tem um sentimento muito grande de projeção da cultura para os turistas e para os cidadãos locais, entendendo esse calçadão como uma vitrine da cultura da cidade, onde passam as mais diversas pessoas", afirmou. Segundo ela, a escolha do dia, local e formato da festa foi realizada em diálogo com os grupos de Maracatu.
Em cortejo, passaram pelo calçadão da Beira-Mar, na altura do Náutico Atlético Cearense, os grupos Maracatu Nação Palmares, Maracatu Leão de Ouro, Maracatu Vozes da África, Maracatu Rei de Paus, Maracatu Nação Pici, Maracatu Solar, Maracatu Obalomí, Maracatu Az de Ouro, Maracatu Axé de Oxóssi, Maracatu Rei Zumbi, Maracatu Rei do Kilombo, Maracatu Nação Iracema, Maracatu Corte Imperial, Maracatu Nação Fortaleza e Maracatu Nação Baobab.
O desfile atravessou a Feirinha da Beira-Mar, surpreendendo comerciantes e turistas, e seguiu caminho até o palco do evento. No local, cada agremiação apresentou uma loa, e ao final as rainhas de todos os grupos foram coroadas.
Desfilando como rainha do Maracatu Rei Zumbi, a estudante Marília Gabrielle de Oliveira faz parte da agremiação há cinco anos. Para ela, o evento foi uma grande festa. "A experiência está sendo maravilhosa. São muitas pessoas prestigiando e eu acho isso muito legal. É uma festa ainda maior porque muita gente que não conhece o maracatu está podendo assistir", celebrou.
A professora Silvia Estela é uma dessas pessoas. Ela veio de São Paulo para conhecer Fortaleza e, turistando pela Beira-Mar, deparou com os Maracatus. "Realmente eu achei muito bonito, diferente. E é também um evento educativo, porque você adquire conhecimento. Achei enriquecedor", contou Silvia.
A empresária Maria Raquel Silveira também ficou encantada. "Eu amei. Já conheço a cultura, mas nunca tinha presenciado uma apresentação. É radiante, eu estou encantada, achando legal demais."
Paul Moura, presidente do Maracatu Nação Palmares, considera a festa como a coroação de um trabalho realizado pelas agremiações ao longo de todo o ano. "O sentimento é de alegria, muita felicidade. Estamos podendo mostrar nosso trabalho de cultura para a população de Fortaleza e para alguns turistas que estão aqui", relatou Paul. Para ele, o Maracatu fortalezense têm muito o que comemorar. "Crescemos muito, hoje nós temos muito mais agremiações. Temos diferentes ritmos e jeitos de tocar, mas no final o propósito e o mesmo, alavancar a nossa cultura."
A data e sua importância
O Dia do Maracatu de Fortaleza é realizado em 25 de março, de acordo com a Lei Municipal nº 5.827/1984. A data homenageia essa importante manifestação cultural e marca o dia da libertação dos escravos no Ceará, ocorrida em 25 de março de 1884, também conhecida como Data Magna. O estado foi o primeiro do Brasil a abolir a escravidão, quatro anos antes da Lei Áurea, assinada em 13 de maio de 1888. A Lei Municipal reforça a valorização e a disseminação do Maracatu como parte do patrimônio cultural da cidade.
Em Fortaleza, a tradição se destaca por características únicas, como o ritmo cadenciado, o uso do negrume (pintura preta nos rostos dos brincantes) e a grande diversidade de personagens e alas que compõem seus cortejos, tornando-o uma manifestação singular dentro do cenário nacional.
Reforçando a importância do Maracatu para Fortaleza, a secretária ressaltou que a Prefeitura está desenvolvendo uma nova dinâmica de valorização dessa manifestação cultural, que vá além da realização dos desfiles, o que inclui a criação de um fórum dos Maracatus.
"Estamos começando a criar novos pactos para a construção de uma política de cultura tradicional que atenda às expectativas da cena cultural e à efetivação da política pública. Os maracatus estão muito presentes, na salvaguarda das loas e na participação de editais de fomento que se desdobram nas programações de Carnaval. Todo mês tem alguma apresentação dos maracatus na cidade. Mas entendemos também que deve existir uma consolidação dessas ações, um investimento maior em formação, na qualificação técnica e artística desses grupos, e na manutenção deles", ressaltou Helena.